[FRASSALES CARTAXO] Eleição: tudo junto e misturado


Conto uma história para enriquecer o folclore político de Cajazeiras. Em 2008, Léo Abreu foi candidato a prefeito pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), presidido nacionalmente por Eduardo Campos, governador de Pernambuco. Léo enfrentou o esquema do então prefeito Carlos Antônio, que escolheu Mário Messias (Marinho) como candidato de seu grupo. Naquele ano, participei de eventos da campanha, gravei para o Guia Eleitoral, junto com o vereador Chagas Amaro acompanhei Léo em visitas à zona rural, subi no palanque e até discursei umas três vezes. Ainda hoje, passados oito anos, Alex Costa faz onda comigo e repete uma frase usado por mim na abertura do horário eleitoral gratuito, quando destaquei a inapetência de Marinho para a gestão pública.

Alex é um gozador!

No que empata, aliás, com Anchieta Lima. Certa vez, ao discursar num comício na zona sul, reclamaram a Anchieta que eu estava tomando o tempo dos candidatos a vereador.

– Ora, esse velho nem candidato ele é, pra que dar o microfone a ele?

José Anchieta, com a calma que Deus lhe deu, puxou o queixoso pelo braço e, num canto do palanque, muito sério, cochichou ao ouvido do candidato:

– O homem aí é o emissário do PSB que traz do Recife a grana que o governador Eduardo Campos manda pra Léo.

O candidato a vereador acreditou…

Entre risadas, Anchieta me contou essa lorota por ele inventada para aplacar a insatisfação do correligionário, ansioso para levar a mensagem a seus eleitores, arrebanhados para o comício à custa de muito sacrifício, cachaça e gasolina. Aquela foi uma campanha na qual se poderia levantar a bandeira da mudança, da renovação, graças à juventude do candidato a prefeito e de seu vice, o ainda estudante de direito, Carlos Rafael. No mínimo, a chapa majoritária tinha a aparência jovem! E na sua superficialidade, em muito ajudava o discurso renovador. Enganação. A prática administrativa dos quatro anos de Léo/Rafael comprovou o engodo. E de quebra, provocou o inusitado gesto da renúncia de Léo, por absoluta falta de tesão para governar. A tal inapetência que eu sacudi no perfil do candidato Mário Messias.

Este ano não dá para falar em renovação.

Em mudança, muito menos. Por quê? Porque é tudo junto e misturado. Basta analisar o perfil dos seis postulantes majoritários. Vejamos. A tentação Gobira poderia surgir como opção renovadora. Mas, renovar com Sinval Leite, meu companheiro de caminhada matinal quando vou a Cajazeiras? Ao incorporar Sinval ao exército quixotesco do PSOL, o professor Carlos Gildemar jogou fora a lança da mudança.

Da aliança Pra Fazer do Jeito Certo (PP, PT, PMDB, Rede, PSD, PPL, PPS, PRTB, PC do B), comandada por Zé Aldemir, nem é preciso falar, tão acostumados estamos com a estratégica infiltração vituriana nas hostes do PT, agora simbolizada por Marcos do Riacho do Meio. E a prefeita Denise? Como se não bastassem os doze anos de prefeitura do casal, o mestre Zé Antônio vai suar feito tampa de cuscuz para provar que o velho é o novo e o novo é o velho! Por favor, não falem de mudança nem de renovação.

As atitudes e as figuras são as mesmas.

Mas existem poucas e lamentáveis ausências. Algumas figuras estão longe da disputa por motivos de ordem legal. Compulsoriamente. É o caso do empresário boa praça, bom papo que, talvez por excessiva lealdade, paga no presídio um preço individual cruel e altíssimo por desmandos e crimes coletivos. Fora esse pequeno detalhe judicial, está tudo junto e misturado.

JUNTOS

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