Cajazeiras-PB, 17/10/2017

[FRASSALES CARTAXO] Cadê o programa para Cajazeiras?

 

Uma das características da política cajazeirense é a predominância de profissionais da saúde no controle político local, no exercício de mandatos eletivos. Médicos, dentistas, protéticos povoam nossa história com frequência quase monótona, em especial nas últimas décadas. Mas isso vem de longe, dos meados do século XX. E até de um pouco antes, logo após a Revolução de 30, o movimento que abalou a força dos coronéis da Primeira República (1889-1930), quando Cajazeiras viveu sob o mando do comandante Vital Rolim, do coronel Justino Bezerra e do coronel Sabino Rolim.

Entre nós, antecipando-se à era Vargas, o presidente da Paraíba, João Pessoa, nomeou em 1929 o professor Hidelbrando Leal, prefeito de Cajazeiras, sob as benções de dom Moisés Coelho, num gesto de conciliação em face das divergências entre as facções partidárias locais. Seis anos após, em 1935, o coronel Joaquim Matos derrotou o médico Vital Rolim, na primeira eleição direta e secreta de prefeito, jogando a última pá de cal no então decadente coronel Sabino Rolim. E assim alargou o caminho político para seu filho médico, Celso Matos, nomeado prefeito no tempo do Estado Novo.

Nos vinte anos de democracia sob a Constituição de 1946 – finda com o golpe de 1964 -, Cajazeiras foi governada por quatro prefeitos eleitos pelo voto direto e secreto: Arsênio Araruna, Otacílio Jurema, Antônio Rolim e Chico Rolim. Só Otacílio era médico, mas venceu dois pleitos. Implantada a ditadura em 1964, a representação médica ficou com Epitácio Leite Rolim, também eleito duas vezes.

Foi marcante a presença de médicos nas seis eleições municipais de Cajazeiras, sob a égide da Constituição democrática de 1988, tanto que o eleitor teve a opção de votar em candidato médico em todas elas, inclusive na de 2012, pois o nome de Carlos Antônio figurou na cédula eleitoral em lugar do de Denise Albuquerque, sua esposa. Esperteza do marido, então impedido legalmente de candidatar-se outra vez! Deu certo.

De lá para cá, muita coisa mudou.

E mudou menos pela ação de agentes políticos de oposição e mais, muito mais pela ação da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça, que deixou fora da disputa eleitoral atores importantes no jogo do poder, nas articulações políticas e na arrecadação suja de dinheiro. É cedo, porém, para avaliar-se as consequências dessa novidade investigativa e punitiva. Novidade simbolizada no plano nacional, na Lava Jato e, entre nós, na Operação Andaime.

Passada a espuma das especulações sobre candidaturas a prefeito e vice, teremos no embate das urnas uma profissional de saúde, um médico e um sapateiro. Nenhum desses candidatos, pode ostentar as qualidades de sua profissão como trunfo eleitoral, salvo para realçar os badalados “serviços prestados”. A eleição de 2016 indica que a campanha se dará como se fosse uma luta de fato entre dois médicos, tal a presença acintosa do ex-prefeito Carlos Antônio. Nada de novo. Isso, aliás, já ocorre na gestão municipal. Nenhuma singularidade, portanto.

Oxente, e Gobira?

Vai ter que suar para meter a colher. É pouco exibir tão somente sua credencial de pobre, expressa no surrado slogan o tostão contra o milhão. Precisa mais do que isso. Muito mais. Precisa mostrar-se proativo. Trazer ao debate um programa para Cajazeiras. Do contrário, será engolido pela tradicional bipolarização eleitoral.

E cadê o programa de governo? A gata comeu!

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SOBRE FRASSALES CARTAXO

FRASSALES CARTAXO
Francisco Sales Cartaxo Rolim é autor do livro, Guerra ao fanatismo: a diocese de Cajazeiras no cerco ao padre Cícero.

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