[FRANCELINO SOARES] Tragédias futebolísticas


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Que me perdoem os meus amigos leitores!… Estou escrevendo este texto na terça-feira, dia 29 de novembro, pela manhã, sob o impacto da tragédia ocorrida com a delegação da Chapecoense, quando se dirigia para um evento, talvez o mais importante de sua carreira futebolística.

E daí que me vêm à memória um fato, quase poderia ser chamado de tragédia, no futebol cajazeirense. Ocorreu com um amigo de infância, Bibiu. Eu o conheci ainda menino, jogando futebol ali pelo campinho das Capoeiras, onde também jogavam, se me lembro bem, Lairton, Zezé, Valdir (o Maria Montez), Valdecy Lopes (o Birunga), meu irmão Chico Soares, Antônio de Maria Catolé, Chico Preto, Neuton e mais alguns outros garotos.

Bibiu jogou em nosso futebol, ainda quando tínhamos um futebol amador, e os atletas jogavam por divertimento, amor ao esporte e em busca de alguns trocados, sendo então patrocinados, em geral, por seus empregadores. Depois que as equipes entraram numa fase – pode-se dizer – de semiprofissionalismo, então Bibiu chegou a jogar pelo nosso amado Atlético Cajazeirense de Desportos, excursionando por várias grandes cidades do Nordeste, a exemplo da histórica visita a Mossoró, quando os atletas foram recebidos com euforia e aplauso, como hoje acontece com as grandes equipes do Sul maravilha.

Mas o “gancho” que nos trouxe a esse memorável time de futebol foi o atendimento a um convite que a equipe em que Bibiu jogava recebeu para uma partida em terras cearenses. Era um domingo, por volta de quase meio-dia, e ele se dirigia à cidade de Juazeiro do Norte-CE, local do evento futebolístico, onde o Atlético jogaria contra a equipe local. “De repente, não mais que de repente”, o jeep que conduzia o nosso craque bateu na traseira de um caminhão caçamba, levando-o a óbito instantaneamente.

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A notícia chegou a Cajazeiras, ao cair da tarde dominical, e colocou não somente os amantes do futebol, mas também os que o conheciam, mormente, os moradores das Capoeiras, em estado de lamentação pública, evidentemente, guardadas as devidas proporções. Foi um dia, uma semana talvez de pesar e lamento. Homenagens lhe foram prestadas pelos amantes do futebol, sobretudo pelos seus colegas de clube, que o homenagearam com uma pintura mural, no estádio Higino Pires Ferreira. O Atlético, entre as várias homenagens a Bibiu, promoveu, posteriormente, a realização de uma partida de futebol com o Guarani cearense.

As duas ilustrações da Coluna mostram, em destaque, no seu clube, o saudoso jogador e, em segunda tomada, os seus companheiros de clube, prestando-lhe uma homenagem, no letreiro “pintado” no muro da então residência de Antônio Rolim, hoje pertencente ao Dr. Deusdedit Leitão, nosso particular amigo Dr. Detinho.

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