Cajazeiras-PB, 23/10/2017

É potência!

cigarro

Seria festa para ficar na história. Na praça da prefeitura, desde cedo, juntava gente. O foguetório tinha sido encomendado a especialista. Cedinho, Manoel Estrela açulou o baio. Pre­via aglomerações e, a cavalo, se moveria mais fácil. Na entrada da cidade, numa bodega que era parada costumeira, apeou do animal, to­mou uma bicada e ensaiou as primeiras conver­sas:

– O funcionário que ligou a chave mestra, em Souza, estava com uma alpercata molhada, levou meio choque, bastou para ele ficar gago até hoje.

Parecia se exercitar, apurando-se para um momento especial. A conversa rolava, cada um contando um caso, acontecidos de outros luga­res, a eletricidade atraindo, misteriosa e pode­rosa. A imaginação suprindo a ignorância, a fan­tasia contaminando a realidade. Um sarará, dos lados do distrito Patamuté, ajeitou o cigarro de palha num canto da boca e apoiou:

– Essa tal de eletricidade é pra arrombar. Quando chegou em Patos, na inauguração, vi­nha com tanta força que acendeu lâmpada quei­mada. E o governador, com uma distância de uns três metros da chave de força, ‘tava com um cigarro apagado nos dedos que ficou aceso. É potência. Quando vem, vem mesmo!

DE LUIZ CARLOS ALBUQUERQUE NO LIVRO NA FORÇA DA LUA

SOBRE Christiano Moura

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