Cajazeiras-PB, 23/10/2017

É luz, compadre, é luz!

choque eletrico5

Manoel Estrela tinha negócios em Cajazeiras, Souza e São João do Rio do Peixe, cidades próximas e fraternas – exceto em se tratando de futebol. Ora num jipe, ora num baio de sua pre­dileção, campeava por um e outro lugar, tocan­do a vida e vendo as novidades, das quais sempre dava conta.

– A luz desembocou em Souza, é uma maravilha! Um sujeito ficou abestalhado olhando a lâmpada num poste, cegou em quinze minutos. É luz, compadre, é luz!

Quando as instalações já estavam pra cá de Marizópolis, ele chegou contando:

– Em São Gonçalo, um bêbado foi mijar num poste, tomou um choque, no dia seguinte encontraram só o montinho de cinza, uma mancha de cuspe e uma ponta de “Astória”.

De outra feita, saiu no jipe, precisou resol­ver negócio em Pombal, o veículo quebrou, uma aperreação:

– Depois é que eu vi, tinha rede elétrica perto e o magnetismo da eletricidade, quando um polo alternado encontra um contínuo.

O contínuo do Banco do Brasil fitou-o e disse “vai te lascar, fela da puta!”. E retirou-se indignado da roda que se formava frente a “Casas Pernambucanas”.

DE LUIZ CARLOS ALBUQUERQUE NO LIVRO NA FORÇA DA LUA

SOBRE Christiano Moura

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