Cajazeiras-PB, 24/10/2017

Deodato Cartaxo: uma vida dedicada à medicina de Cajazeiras

Poucos são os registros escritos sobre a vida deste ilustre filho de Cajazeiras, que serviu com dedicação e profissionalismo, durante toda a sua vida, à arte de curar e com suas abençoadas mãos ter retirado do ventre das mulheres cajazeirenses inúmeros filhos, num ritual que lhe fazia feliz entre o choro do recém nascido e as lágrimas de felicidade das mães. Formou-se em Medicina em 1936, pela UFPE e fez residência médica no Hospital dos Servidores de Pernambuco. Começou a trabalhar em Cajazeiras, em 1938.

E foi através de sua dedicação como obstetra e ginecologista que foi conferida à maternidade de nossa cidade o nome de Dr. Deodato Cartaxo de Sá, numa homenagem mais do que justa e merecida. Foi de 05 de agosto de 1941 até 1965, Diretor do Hospital Regional de Cajazeiras, e nestes 24 anos como médico desta casa de saúde não se pode mensurar o quanto contribuiu com sua administração e profissão a salvar vidas dos sertanejos da região.

Deodato nasceu no Sítio Descanso em 08.11.1909, em terras pertencentes aos seus avôs Ana Emília do Couto Cartaxo e Deodato Umbelino do Couto Cartaxo, que se casaram em Mauriti (CE). Deodato Umbelino (cajazeirense) era tio paterno de Ana Emília (mauritiense); era comum nesta época casamento entre parentes. Desta união nasceram oito filhos, dentre eles Honorina Cartaxo de Sá, natural de Mauriti (CE) a 02.10.1870 e casou-se em Cajazeiras (PB), a 07.10.1908, com Aníbal Gomes de Sá, nascido em Sousa (PB), a 12.11.1883 e faleceu em 28.06.1949.

Da união de Honorina com Aníbal nasceram oito filhos e Deodato foi o primogênito, seguido por Tiburtino, Iraci, Lucy, Aproniano, Francisco, Rildo e Osmar, todos com a marca Cartaxo de Sá.

Deodato pouco se envolveu com a vida política partidária de Cajazeiras, muito embora tenha nas suas origens figuras as mais expressivas da vida política da cidade de Cajazeiras, a exemplo de seu bisavô, Antonio Joaquim do Couto Cartaxo, cajazeirense nascido em julho de 1842, formado na tradicional faculdade de Direito do Recife, em 1862, tendo como colega de turma Epitácio Pessoa; foi o primeiro juiz municipal de sua terra e instalador do Termo Judiciário em 1864. Filiou-se ao Partido Liberal, legenda pela qual se elegeu deputado provincial pela Paraíba (1865-1866). Com a morte de seu irmão João Antonio do Couto Cartaxo, ocorrida no patamar da igreja matriz de Cajazeiras, a 18.08.1872, no dia da eleição, numa troca de tiros entre os Liberais e Conservadores, desgostoso e indignado mudou-se para Milagres, onde exerceu o cargo de juiz municipal.

De volta à carreira política, elegeu-se deputado provincial pelo Ceará (1878/1879) e em 1889 a deputado federal pela Paraíba à Primeira Constituinte do Brasil, ao lado de seu amigo e chefe político Epitácio Pessoa. Vale ressaltar que dois únicos filhos de Cajazeiras assinaram uma Constituição Nacional: Couto Cartaxo e Edme Tavares.

Observa-se então, que o médico Deodato Cartaxo tinha todas as razões para se tornar um vitorioso político, mas preferiu dedicar sua vida à medicina, mas não deixou de enfrentar outras lutas, dentre elas a da fundação do Rotary Clube de Cajazeiras, em julho de 1948, mesmo a poderosa igreja tendo sido contrária, depois de uma negativa do “aceite” por parte do bispo da diocese, Dom João da Mata e foi o primeiro presidente deste tradicional clube de nossa cidade aonde prestou relevantes serviços em defesa de Cajazeiras e participando de vários encontros rotários representando o clube, nos estados de Pernambuco e Ceará.

Deodato foi casado com Maria Hercilia Mendes Cartaxo (Dona Cilinha), nascida em 18 de fevereiro de 1923, hoje está com 94 anos de vida e reside na cidade de João Pessoa, filha de Cacilda Sobreira Mendes e Joaquim Mendes Braga e era neta de Epifânio Gonçalves Sobreira Rolim, que nasceu em Cajazeiras a 11.08.1864 e faleceu 21.09.1937, foi comerciante, político e Delegado de Polícia e foi casado com Saturnina Sobreira Bastos, que nasceu em Iguatu (CE) a 30.07.1882 e faleceu em Cajazeiras a 14.08.1933.

Do casamento de Deodato e Cilinha, realizado em 23.11.1940, em Cajazeiras, nasceram: Deodato Filho, Aleuda, Marconi (in memorian), Ana Emília e Marcilio.

Deodato faleceu e foi sepultado em João Pessoa em 15.03.1993, aos 84 anos e se constitui num dos valorosos filhos de Cajazeiras, pela sua luta, dignidade e pelo legado e marcas deixados na cidade que lhe serviu de berço. Uma história que precisa ser resgatada e projetada porque a muito do que se falar/escrever sobre ele.

SOBRE JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE
Professor e historiador, fundador do jornal Gazeta do Alto Piranhas e diretor da Rádio Alto Piranhas.

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