De Tradição e de Família

A COLUNA DE FRANCELINO SOARES

A CASA DE MINHA AVÓ MATERNA, NO SÍTIO RIACHO FUNDO
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A “autenticidade” de certos fatos somente é aceita como verdadeira quando, histórica e documentalmente, é comprovada.  Falar de história é uma coisa; outra coisa é buscar-se o resgate de estórias familiares, algumas das quais somente nos chegam através de informações orais, transmitidas, como se diz habitualmente, de pai para filho.

Nesse final de semana, exatamente no sábado, dia 30 de junho corrente, a minha família, a família Soares, reúne-se na localidade chamada de Riacho Fundo, nos caminhos de Boqueirão (Engenheiro Ávidos), seu berço de origem.

Vêm-me, então, à lembrança dias impossíveis de serem esquecidos. São memórias que se não consegue apagá-las. E é aí que vão fluindo as reminiscências que o tempo não nos deixa olvidar. Surgem, então, as conjecturas dos tais fatos que a tradição oral nos vai passando.

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Foi ali, naqueles rincões isolados do mundo, pequeno sítio, que os meus pais nasceram e viveram até contraírem matrimônio o que, aliás, fizeram a contragosto do meu avô paterno, o ancestral da família, o meu querido “padim Francelino”. As razões das obstruções nunca me foram relatadas, daí porque tento buscar informações de fatos que o tempo, cada vez mais, impossibilita conhecê-los.

Divagações de lado, a família está reunida com o objetivo precípuo de estreitar os laços de amizade e parentesco, de vez que, na luta pela procura de afirmações pessoais, foram deixando o rincão querido e, cada vez mais, buscando seus espaços em outros lugares, como ocorre com este cronista. Não foi a falta de reconhecimento ao local/berço, mas a procura de afirmação em outras paragens. Que esse encontro que agora se realiza proporcione momentos de reconhecimentos entre os familiares.

Certamente que, nas conversas, surgirão estórias de vida, experiências e fatos que, transmitidos de uns para os outros, poderão ir-se perpetuando. Dentre as lembranças mais caras, guardo uma informação que o meu saudoso pai me relatou, quando eu ainda era criança: convocado para ir ao campo de batalha, por ocasião da nefasta II Guerra Mundial, foi “desconvocado” pelo fato de a guerra haver terminado antes de sua partida. Juntando os fatos, entendi porque o primo dele, Domingos Soares, engajou-se no Exército Nacional, embora nunca tenha sabido se este realmente foi à guerra. Mas é justamente aí que entra a estória da tradição oral.

Esses fatos, se não forem relatados de geração a geração, vão caindo no esquecimento e jamais constituirão história, mas sempre permanecerão no domínio da estória.

ELIANE BANDEIRA

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