Cajazeiras-PB, 10/12/2017
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[CLEMILDO BRUNET] A criança que fui… A criança que sou…

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Todos nós fomos criança um dia ou ainda somos em alguns aspectos de comportamento. Agimos como adultos, mas também, muitas das vezes estamos nos portando como criança. Determinado dia Jesus falou para adultos de sua época, que serve também de ilustração para nós nos dias atuais. Ele disse: “Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações e não pranteastes”. Mt 11:16,17.

A questão levantada não era nada mais do que a dubiedade das pessoas no modo como Jesus cumpria sua missão em detrimento ao que seu precursor pregara. João Batista não comia e nem bebia vinho, taxaram-no que tinha demônio e de Jesus disseram: …”Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores”!

A criança que fui com suas múltiplas manifestações já não é a criança que sou. Senão vejamos: O mundo tem invertido os valores. A criança de tempos passados recebia a educação de seus pais, que a orientavam para vida, ensinando os bons modos, a ética e o respeito pelos idosos. A criança que fui tinha a criatividade de ser mentora de seus próprios brinquedos. A menina fazia sua boneca de pano, construía em seu mundo infantil uma casa, desempenhava o papel de mãe, enfermeira e cozinheira, na singeleza dos instrumentos que utilizava como símbolos do lar.

A criança – menino que fui era interessada em jogar bola, fazer carrinho de mão, andar de velocípede ou bicicleta, brincar com bolas de gude, girar pião etc. A brincadeira inconsciente era prática de exercícios. Um pneu velho ou um tonel vazio serviam de instrumentos para corridas. Correr empurrando o pneu velho ou fazer aposta pra quem ia mais longe à cima do tonel vazio.

A criança que sou foi mal orientada, exigente com pais, tudo que ver quer comprar, esperneia por um brinquedo que quer adquirir ainda que os pais não possam dar. Não respeita, nem dar-se ao respeito, nem tão pouco considera os mais velhos, porque nunca aprendeu os bons costumes.

A criança que fui me faz lembrar que brincar era mais solto e leve, pois o espaço da rua era nossa predileção.

A criança que sou vive presa em áreas apertadas dos condomínios, não existe campos de futebol, só lhe sobra às quadras de escolas e de clubes.

A criança que fui qualquer objeto servia para diversão. Um par de rolimãs usado era fácil de achar em uma oficina mecânica e a madeira do assoalho pra fazer o carrinho rolar se conseguia sem dinheiro em qualquer madeireira.

A criança que sou é ter como brinquedo o vídeo game, a televisão substituindo a família, a internet como instrumento altamente perigoso para se relacionar. A criança que sou vive o tempo das competições sem se importar com os meios utilizados, entregues a babás para abafar o choro e evitar questões de conflitos com os pais.

Conclusão: estou entre a cruz e a espada, pois o avanço tecnológico desses tempos pós-modernos, me deixa na dúvida – ‘já não sei se sou a criança que fui… ou a criança que sou…’

CLEMILDO BRUNET

SOBRE CLEMILDO BRUNET

CLEMILDO BRUNET

Radialista e jornalista em Pombal-PB.

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