Cajazeiras-PB, 16/12/2017
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[CLAUDIOMAR ROLIM] O Brejo das Freiras nos meus tempos de infância

Freiras não me eram figuras simpáticas nos meus tempos de menino, embora minha madrinha de batismo fosse uma Dorotéia e  eu adorava.

Freira me lembrava uma mulher malvada e rabugenta de orelha escondida num saco a lhe encobrir todo o crânio. Na minha inocência pueril, eu achava que o maior prazer delas era perseguir as meninas, quando as pegavam em algum flerte com o seu príncipe e as admoestavam severamente. E sempre olhava com cara feia, a meninada sentada no muro lateral da casa em frente às janelas também laterais do Colégio Nossa Senhora de Lourdes.

Bom, as freiras do Brejo eram outras, estas fugiam à regra geral, por não serem aparentes. Eu nunca tinha visto alguma por lá. Nem minha madrinha.

A estação termal do Brejo das Feiras no município de Antenor Navarro (hoje, São João do Rio do Peixe) foi uma das boas primícias da aurora da minha vida, passear no Brejo era um o meu maior sonho.

O Brejo das Freiras fica num vale, que se avistava da estrada, na descida, o meu coração palpitava antevendo as emoções que me esperavam.

Após o portão de entrada, ladeira abaixo vem o hotel da estação. Imponente com a sua sequência de arcos semicirculares, estilo romântico, mas não era o alvo da gurizada, a não ser os almoços que papai patrocinava, o ímã era as águas termais que nos esperavam mais embaixo.

Em frente ao hotel descia uma cumprida alameda calçada de paralelepípedos, com largura suficiente para um carro, que levava ao balneário, o nosso amado objetivo. Este era dividido em duas alas, masculino e feminino. Na entrada logo à direita os amplos quartos de banhos e uma sala grande de espera. Nestes que ficavam as banheiras, confortáveis com grandes torneiras que entornavam fortes jatos d’água quente e não demoravam a encher.

Ainda não havia a piscina de hoje, se não existia também não fazia falta, o espaço arborizado nos permitia correr à vontade e toda sorte de brincadeiras.

Na hora do rango íamos saborear um peba na farofa preparado por mamãe, comíamos até se empanturrar. Este não faltava nem que vaca tossisse.

Após o sol ultrapassar o zênite irradiano u chegava a triste hora de voltarmos…

Chegava a triste hora de voltarmos…

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SOBRE Christiano Moura

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