Cajazeiras-PB, 23/10/2017

Léo Abreu: a cronologia da renúncia

 

Eleito em 2008 com 52% dos votos válidos, o médico Leonid Souza de Abreu (PSB), travestiu-se de arauto da esperança de dias melhores numa Cajazeiras devastada pela administração anterior, segundo os seus marketeiros. “Agora vai!”, dizia o seu grito de guerra. “Dias melhores virão”, acreditava boa parte da população.

Empossado, formou um secretariado com pessoas que haviam trabalhado na administração do seu pai, o também médico Vituriano de Abreu em 1988. Colocou algumas caras novas mas não conseguiu o impacto necessário para sua administração. Mudanças e mais mudanças sucediam-se na equipe que, longe de ser coesa, ainda insistia em desafiar as ordens do comandante.

Mesmo com vários acertos, a administração não empolgava e a sua comunicação não conseguia passar à população os seus feitos. A má vontade de auxiliares parecia ser a única coisa produzida por sua administração, tida e havida como a melhor, mais competente e mais preparada durante a memorável campanha política.

O jovem prefeito angustiava-se e, por mais de uma vez, ameaçou cair fora, sendo firmemente contido pelo círculo familiar, o mesmo que exatos 866 dias depois o levaria a tomar a decisão de renunciar, segundo conceituados analistas políticos, por não concordar com as pressões a que vinha sendo submetido.

Dias melhores não vieram e como disse laconicamente um fervoroso admirador, noutros tempos chamados de ‘homem-bomba’: “Agora foi…”

Nos meses que antecederam a renúncia, a primeira e única de um chefe do Executivo cajazeirense, o ainda prefeito Léo Abreu concedeu várias oportunidades ao jovem vice-prefeito Carlos Rafael Medeiros de Souza (PTB), que tem apenas 23 anos. Sempre que ausentava-se do município, deixava o seu comando administrativo nas mãos do quase imberbe substituto.

Nas últimas semanas, Carlos Rafael viria a assumir a prefeitura em várias oportunidades e em todas elas impunha um novo ritmo à administração, seja em postura e trabalho, ou em obras, ações e serviços.

No último final de semana, no mais absoluto sigilo, Léo Abreu e Carlos Rafael estiveram reunidos, acertando os detalhes da renúncia e da tranquila transição do poder. Da parte de Léo, ninguém tomaria conhecimento do fato. Segundo declarações, nem mesmo sua esposa Jacqueline Abreu ou seus pais o deputado estadual Vituriano de Abreu e Fátima sabiam da drástica decisão.

Na manhã da segunda-feira, o Dia “D”, o ainda vice-prefeito Carlos Rafael dirigiu-se ao Cartório Dimas Andriola e reconheceu a firma das sete laudas do Termo de Renúncia assinado por Léo Abreu. Em seguida, dirigiu-se à Quirino Advocacia e apresentou o documento ao advogado João de Deus Quirino Filho, que tratou de iniciar os preparativos da posse.

Ao meio-dia, num pool de emissoras de rádio, o ainda prefeito Léo Abreu participa do seu programa semanal, quando lê um resumo da sua administração, o mesmo que constaria do seu Termo de Renúncia. O faz fria e laconicamente, suas características, o que não causou nenhuma surpresa aos ouvintes.

Por volta de 13h00, o presidente da Câmara Municipal, Marcos Barros, tomou conhecimento do fato e, após consultar sua assessoria jurídica, convocou os vereadores para a Sessão Solene de posse do novo prefeito de Cajazeiras. Enquanto isso, o médico Léo Abreu tomava o rumo de Fortaleza, segundo declararam posteriormente alguns familiares.

Ao cair da tarde, com a posse garantida pelo Poder Legislativo, a assessoria do ainda vice-prefeito Carlos Rafael fez chegar à imprensa a notícia bombástica: Léo havia renunciado. Em minutos a cidade entrou em polvorosa e a população acorreu à Câmara Municipal ávida por informações, para muitos de um disparate sem propósito. “Isso é mais uma mentira da oposição”, diziam.

Pouco antes das 17h00, a advogado João de Deus Filho está a postos na Câmara tendo em seu poder o Termo de Renúncia de Léo Abreu, que seria formalmente entregue ao presidente Marcos Barros, Instantes depois, o futuro prefeito, acompanhado de familiares e (poucos) amigos chega à Casa Otacílio Jurema para fazer História.

Já perto das 18h00, o presidente Marcos Barros dá início à Sessão e à leitura do Termo de Renúncia, onde Léo Abreu faz um resumo da sua administração e renuncia alegando razões de foro íntimo. Precisamente às 18:05 do dia 16/05/2011, foi declarado oficialmente vago o cargo de prefeito de Cajazeiras, face a renúncia do seu titular. Ato contínuo, o Poder Legislativo, de acordo com a Lei Orgânica do Município, dá posse imediata ao vice-prefeito Carlos Rafael, que faz o juramento solene e assina a ata da posse.

Cajazeiras vive um novo momento político e administrativo.

CHRISTIANO MOURA

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