Cajazeiras-PB, 22/10/2017

Cajazeiras: por que o retrocesso?

 

Quais as razões da cidade de Cajazeiras sair da 6ª posição para a 10ª no cenário econômico da Paraíba? Há quase dez anos o município não recebe verbas federais para melhoria da sua infra-estrutura, desde o segundo mandato do prefeito Carlos Antonio (2004/2008) que o município ficou inadimplente e seu nome passou a constar no CAUC, que perdemos este direito. A última verba, uma emenda parlamentar, foi para calçar 102 ruas e uma parte foi iniciada no governo de Léo Abreu e outra ainda no da prefeita Denise Albuquerque, via Caixa Econômica Federal.

A partir de então, as verbas oriundas do governo federal, vieram através do estado e a maior obra que seria construída, no valor de 12 milhões de reais, foi para o esgotamento sanitário da Zona Norte, ainda no governo de Zé Maranhão, que até hoje não foi concluída, mesmo depois de ter sido começada por mais de uma vez. Por onde andam estes recursos?

No governo de Ricardo Coutinho, I e II, a cidade foi contemplada com a construção da Estrada do Amor, indiscutivelmente, a melhor obra viária urbana dos últimos anos, além da construção de uma nova escola de Ensino Médio, da ampliação do Teatro Ica e do estádio Perpetuo Correia Lima e mais recentemente foi inaugurada uma nova adutora que contemplou os habitantes da Zona Norte e a conclusão do aeroporto. Estas obras foram do governo do estado com ajuda do governo federal.

Recentemente o governo do estado assinou a Ordem de Serviço para a iluminação do aeroporto, para permitir vôos noturnos, e se encontra em fase de conclusão o projeto do IML, ambos com ajuda de verbas parlamentares, dentre eles o Senador Raimundo Lira.

Muitas obras foram realizadas na saúde e educação, nestes últimos anos, com verbas repassadas diretamente para o município, áreas que não existem impedimentos para liberação de verbas federais e de emendas parlamentares. Na gestão da Dra. Denise o número de novas, de ampliação e reformas de escolas tiveram um avanço considerável, além de modernização dos ambientes escolares e ainda no setor de saúde a ampliação e construções dos postos para UBS foi praticamente duplicado se considerarmos as reformas.

Mas infelizmente, outros setores que poderiam transformar o município, a exemplo da Construção da Perimetral Norte, da abertura da Avenida João de Sousa Maciel, urbanização do Açude Grande, de um amplo e moderno Espaço Cultural, construção de moradias populares, pavimentação e esgotamento sanitário das 300 ruas que faltam e da revitalização do asfalto de nossas avenidas, só poderiam ser realizados com recursos federais, já que os do município servem apenas para pagar a folha dos servidores e cobrir com precariedade as áreas de educação e saúde.

Não vislumbro, como num passe de mágica, a possibilidade do município sair da relação do CAUC, porque entre os itens está a dívida com o IPAM, que atinge a estratosférica soma de 30 milhões de reais. Talvez, a única saída para este caso, seja via judicial e se contratando uma empresa de alto nível para definir os caminhos a seguir, dentre eles uma renegociação, caso contrário o processo de retrocesso do município poderá se tornar irreversível.

Como fazer esta cidade crescer e se transformar num verdadeiro canteiro de obras? Como induzir a classe empresarial para realizar novos investimentos?

Felizmente, o viés da educação, tem conseguido parar e amparar, no setor de prestação de serviços, este processo de involução, mas necessário se faz abrir novas fronteiras de lutas: como a construção do novo hospital universitário, criação da Universidade Federal do Sertão, soberania do nosso Instituto Federal de Educação, implantação da Zona Franca do Semiárido, incentivos fiscais para o Distrito Industrial, além de outras lutas.

Quando as águas do Rio São Francisco aportar no nosso território o que vamos fazer com elas? Precisamos realizar um grande seminário para debater esta questão ou vamos usá-las apenas para aprazíveis banhos no Açude de Boqueirão e no leito do Rio Piranhas?

O IBGE divulgou a estimativa da população dos municípios paraibanos e para nossa surpresa perdemos o sétimo lugar para Cabedelo que tem 66.857 habitantes e Cajazeiras 61.816. Infelizmente estamos perdendo espaço no cenário geopolítico da Paraíba e mais ainda temos sofrido quedas e posições contínuas no recolhimento de ICMS. O que fazer? A cidade precisa de novas idéias e grandes pensadores para debater e discutir que rumos devemos tomar para a retomada de suas antigas posições e de município líder do sertão da Paraíba.

SOBRE JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE
Professor e historiador, fundador do jornal Gazeta do Alto Piranhas e diretor da Rádio Alto Piranhas.

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