Através de Cajazeiras, cidades do Ceará são mais ligadas à vizinha Paraíba


A dona de casa Francisca Lima e o lojista Aquiles Rodrigues, moradores desta cidade, com regularidade viajam a Cajazeiras, na Paraíba, para fazerem compras ou em busca de serviços médicos e gráficos. Os dois são exemplos do que se verifica diariamente entre esses dois centros urbanos. É uma relação histórica de dependência econômica, que impulsiona a população da região a ir em busca de serviços diversos no vizinho Estado.

Ipaumirim, Baixio e Umari são municípios localizados no Centro-Sul cearense com fortes ligações com a Paraíba. Estudantes, profissionais liberais, servidores públicos, comerciantes fazem o caminho diário entre as duas cidades. Os motivos são diversos: em busca de uma melhor oferta de ensino, compras, atendimento na área de saúde e de serviços variados.

São cidades cearenses com fortes características paraibanas, que dependem do vizinho Estado. “Aqui tudo se resolve em Cajazeiras”, diz o mototaxista, Marcos Silva, da cidade de Baixio. É verdade.

Excetuando-se as relações públicas oficiais e legais, os moradores da região preferem resolver os negócios pessoais em Cajazeiras, em vez do Cariri e até mesmo na cidade de Icó.

Acesso

Para a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ipaumirim, Terezinha Gonçalves, a proximidade entre Cajazeiras e a região facilita o intercâmbio entre os centros urbanos. De Ipaumirim para Cajazeiras são 32 km, para a cidade de Icó são 55 km, e para Juazeiro do Norte, 150km.

Seis vans transportam moradores para o Estado vizinho, além do transporte exclusivo para alunos do ensino fundamental, médio e universitário. Somente de Ipaumirim são cerca de 200 estudantes que cursam faculdades em Cajazeiras. Terezinha Gonçalves concluiu, recentemente, curso de Direito em Cajazeiras. “É uma oportunidade que temos”, frisou. “Os alunos vão e retornam todos os dias”, salientou.

O coordenador financeiro da Escola de Ensino Médio dom Francisco de Assis Pires, da rede estadual de ensino, Raimundo Ferreira Filho, tem uma expressão para demonstrar essa relação entre trabalho no Ceará e estudo e compras na Paraíba. “Eu me sinto um ‘ceariba’ porque moro e trabalho no Ceará, mas estudo, faço compras ou busco serviços na Paraíba”, disse. Ele cursa fisioterapia à noite.

A diretora da escola dom Francisco Pires, Maria de Fátima Josué, cursou Letras em Cajazeiras. “Eu me sentia um peixe fora d’água”, contou. “As leis da educação são diferentes e estudava uma coisa. Aqui, em Ipaumirim, seguia as resoluções do Ceará”.

Inversão

A escola encaminha todos os anos cerca de 200 alunos para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Cajazeiras. “É mais próximo do que Icó”, frisou. Na escola, pelo menos dez professores são paraibanos e, por meio de aprovação em concurso, vieram trabalhar no Ceará. “É um movimento inverso”, observa a professora Marivalda Gomes, que nasceu na cidade de Santa Helena, Paraíba. Ela viaja todos os dias para ensinar em Ipaumirim.

A diretora, Maria de Fátima Josué, observa que o fluxo maior de pessoas é da região para Paraíba e revela que faz compras duas vezes por semana, em Cajazeiras. A servidora pública municipal Simone Vieira tem filho adolescente estudando no vizinho Estado. “Lá tem melhores condições de ensino”, justifica.

Os consumidores preferem adquirir veículos em Cajazeiras. “Os veículos são emplacados aqui em Ipaumirim, mas a compra é feita em Cajazeiras. Tem melhor preço do que no Ceará”, disse Maria de Fátima. Na cidade de Ipaumirim, taxistas também fazem o transporte diário de moradores para Cajazeiras, geralmente, em busca de atendimento no setor de saúde.

Outro aspecto decorrente da proximidade das duas cidades é o modo de falar dos moradores da região. “O sotaque se assemelha ao do paraibano”, disse a secretária de Cultura de Ipaumirim, Fátima Osório.

O lojista Aquiles Rodrigues faz compras para o restaurante que mantém em Ipaumirim. “Antes, acontecia duas, três vezes por semana, mas agora diminui um pouco por causa da crise”, disse. “Aqui é uma cidade pequena. Tem muita carência, enquanto Cajazeiras é um centro urbano mais desenvolvido”.

A empresária Andreia Cavalcanti lembra que começou com uma venda de confecções em Ipaumirim, adquirindo produtos em Cajazeiras. Quinze anos depois, o negócio cresceu e as compras foram direcionadas para outros centros urbanos mais prósperos. “Passava minhas férias lá, na casa de parentes”, disse. O filho de 12 anos cursa a 7ª série em Cajazeiras e faz escolinha de futebol aos sábados.

DIÁRIO DO NORDESTE

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