Três santos são efusiva e intensamente comemorados em junho, em todo o Brasil, desde o período colonial: Santo Antônio, São João e São Pedro. No Nordeste brasileiro, principalmente, estes santos são reverenciados e pode-se dizer que a importância destas festas, para as populações nortista e nordestina, ultrapassa a do Natal, principal festa cristã, e que elas são, historicamente, o evento festivo mais importante destas regiões, tanto cultural como politicamente.

Acredita-se que estas festas têm origens no século XII, na região da França, com a celebração dos solstícios de verão (dia mais longo do ano, 22 ou 23 de junho), vésperas do início das colheitas. No hemisfério sul, na mesma época, acontece o solstício de inverno (noite mais longa do ano). Como aconteceu com outras festas de origem pagã, estas também foram adquirindo um sentido religioso introduzido pelo cristianismo, trazido pela igreja católica ao Novo Mundo. A comemoração das festas juninas é certamente herança portuguesa no Brasil, acrescida ainda dos costumes franceses que a elas se mesclaram na Europa.

O ciclo das festas juninas gira em torno de três datas principais: 13 de junho, festa de Santo Antônio; 24 de junho, São João e 29 de junho, São Pedro. Durante este período, o país fica praticamente tomado por festas. De norte a sul do Brasil comemoram-se os santos juninos, com fogueiras e comidas típicas.

É interessante notar que não apenas o dia, propriamente dito, mas todo o mês é considerado como tempo consagrado a estes santos na região e, principalmente, às vésperas, que é quando se realizam os sortilégios e simpatias, a parte mágica da festa típica do catolicismo popular. Inúmeras adivinhações a respeito dos amores e do futuro (com quem se vai casar, se se é amado ou amada, quantos filhos se vai ter, se se vai morrer jovem ou ganhar dinheiro etc.) são feitas nas vésperas do dia dos santos, em geral de madrugada.

A primeira das festas do ciclo junino é a de Santo Antônio. A véspera deste dia, significativamente, foi escolhida oficialmente como Dia dos Namorados, no Brasil.

Santo Antônio é o santo casamenteiro, aquele que tradicionalmente protege o amor, arranja um companheiro ideal para os que vivem sós. O normal é se fazer a festa de Santo Antônio no dia que lhe é consagrado no calendário gregoriano, acendendo a fogueira no entardecer do dia 13 e, a partir daí, realizando as costumeiras provas de amor, de jogo de prendas e salto sobre as brasas.

São João é o santo mais festejado socialmente em todo o Brasil, também é considerado o santo protetor/padroeiro das mulheres grávidas. É comemorado no dia 24 de junho, com fogueiras acesas em todos os rincões para recordar o seu nascimento. São João Batista era primo de Jesus Cristo. Segundo a crença popular, era um pregador intolerante e áspero. No entanto, São João é cultuado pelo povo como um santo amável, alegre e festeiro.

Conta a lenda que Santa Isabel, mãe de São João era prima da Virgem Maria. São João não havia nascido ainda, mas era esperado. Ora, Santa Isabel prometeu à Virgem avisá-la logo que a criança  nascesse. As duas casas não eram muito distantes, de modo que de uma se avistava a outra, com um pouco de esforço.

Numa noite bonita, de céu estrelado, São João veio ao mundo. Para avisar a Virgem, Santa Isabel mandou erguer, na porta de sua casa, um mastro e acendeu uma fogueira que o iluminava. Era o aviso combinado.

A Virgem Maria correu logo a visitar a prima. Levou-lhe de presente uma capelinha, um feixe de folhas secas e folhas perfumadas para a caminha do recém–nascido.

E desde essa época, São João é festejado com mastro, fogueira e capelinha, que lembram o seu nascimento.

São Pedro é o Santo Padroeiro do Rio Grande do Sul, é comemorado no dia 29 de junho e é o santo que guarda as chaves do céu. Ele foi um dos discípulos mais bem quistos de Jesus. Foi pescador, por isso é o santo Protetor dos Pescadores. Em alguns lugares, faz-se procissão marítima ou fluvial, com barcos enfeitados com flores e bandeirinhas. São Pedro também é o santo protetor das viúvas, pois dizem ser ele também viúvo. As viúvas acendem velas, rezam e pagam promessas no dia de São Pedro. Segundo a crença popular, após o dia de São Pedro, as frutas ficam mais doces, porque o Santo faz xixi nas mesmas.

São Pedro auxilia as pessoas que se encontram em situações difíceis, pois é dotado de muita determinação e calma.

Segundo a tradição, São Pedro era um homem simples e de boa fé. Mas nas histórias populares, São Pedro aparece sempre como um personagem esperto. Inúmeras são as anedotas em que São Pedro, com sua inteligência e bom humor, impede a entrada de clandestinos no Paraíso.

Como se vê, as festas juninas são as principais festas populares brasileiras depois do Carnaval – nossas típicas “festas do interior”. No mês de junho, o interior do país se converte em um enorme arraial. É uma festa santa à moda brasileira: não se precisa ir à igreja. A devoção aos santos é externada ao redor da fogueira e da mesa farta, compartilhada pela família e os amigos. É a vigília que milhões de brasileiros religiosamente realizam, guardando a seu modo esse dia santificado. A alegria não escolhe classe, invade o coração de todos que se reúnem ao redor do fogo, no pátio enfeitado por bandeirolas de papel multicolorido, para dançar ao som das violas e sanfonas, com suas melhores roupas.

Depois disso, só nos resta desejar boa sorte e boas festas!

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