As águas do Rio São Francisco vão chegar e o que vamos fazer com elas

A COLUNA SEMANAL DE JOSÉ ANTÔNIO DE ALBUQUERQUE

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Em julho do ano passado fiz uma pergunta quase idêntica a esta: como vamos aproveitar esta imensa riqueza que vai passar por todo o leste do município de Cajazeiras?

Pelas projeções, depois do troca-troca das empresas, existe a possibilidade de que até o final deste ano as águas comecem a chegar ao Açude de Engenheiro Avidos, município de Cajazeiras, para daí perenizar o Piranhas, passando pelo açude de São Gonçalo, em Sousa, até chegar à grande Barragem de Açu e ainda até desembocar no Oceano Atlântico, nas costas do Rio Grande do Norte.

O açude de São Gonçalo foi construído para regularizar a distribuição das águas para os lotes de terras dos colonos que foram assentados, num importante projeto de irrigação, nas chamadas várzeas de Sousa. Estes dois açudes, somente após três décadas passaram a fornecer água para as cidades de Cajazeiras e Sousa.

Ao longo do tempo quem mais se beneficiou das águas armazenadas nestes mananciais foi o município de Sousa, que o proporcionou se tornar um grande produtor de coco e de banana e de ter uma valiosa bacia leiteira.

As águas do Piranhas foram poucas aproveitadas pelos ribeirinhos cajazeirenses, com raras exceções, a exemplo do Antonio Rolim Cartaxo, que em sua fazenda Santa Catarina, tinha uma exuberante produção de goiaba e banana e praticamente se tornara quase o único fornecedor para a indústria Rio Verde, que produzia doces de excelente qualidade e exportava para todo Brasil. Hoje, infelizmente, Antonio e a Rio Verde fazem parte apenas da História Econômica de Cajazeiras.

O Piranhas fazem seis anos que está seco. São seis anos de estiagem. As águas das chuvas ainda não foram suficientes para dar vida ao leito do rio, que atualmente está tendo uma lamina de água proveniente de seus afluentes, dentre eles o Riacho dos Cocos, Riacho Fundo e Caiçara.  Resta-nos a esperança das águas que nascem lá nas Minas Gerais e formam o Rio São Francisco, sejam transportadas através de um complexo e grandioso projeto de engenharia para perenizar de forma definitiva o Piranhas, depois de elas chegarem ao Açude Engenheiro Avidos.

Uma pergunta: quando estas águas chegarem será que vamos deixá-las percorrer toda a faixa leste do município de Cajazeiras sem utilizá-las? Quais os grandes projetos que poderíamos executar para transformar o município num dos maiores produtores de frutas e outras culturas? Não devemos esquecer que esta valiosa riqueza que sempre passou na nossa porta fez o crescimento de Sousa e de vários municípios do Rio Grande do Norte?

Não estaria na hora de uma convocação dos ribeirinhos para um amplo debate e descobrir o potencial de cada um e a partir daí lhe prestar todas as informações técnicas, incentivos financeiros e estudos de mercado? Temos inúmeras alternativas: produziríamos frutas, pastos para rebanhos ovinos e caprinos, peixes em tanques, canaviais para produção de cachaça ou rapadura, plantas floríferas para produção de mel, mandioca para fabricar a fécula e a farinha, grandes campos de milho, feijão e algodão.

Os exemplos estão em varias regiões do semiárido e em terras de qualidades inferiores as nossas: está aí Petrolina exportando frutas para o mundo, Mossoró alcançando o titulo de maior produtor de melão do mundo, Cabrobó colhe uma super produção de cebola de excelente qualidade.

Para atingirmos patamares elevados precisamos da presença da EMBRAPA, que tem técnicos de qualidades inigualáveis e estudos e pesquisas avançadas em todas as áreas. Está aí a nossa EMATER que tem contribuído com inúmeros projetos, a exemplo da cidade de Bernardino Batista, que recentemente recebeu 10 mil mudas de cajueiro precoce e já foram plantadas. Não devemos perder tempo.

Não tenho conhecimento de nenhum movimento, audiência pública (que está na moda), seminário, simpósio ou debate em torno deste assunto, mas isto não significa que devemos continuar de braços cruzados esperando que só com água se faça o milagre da reprodução. Repito: não devemos perder tempo.

As águas do Piranhas, misturadas com as do São Francisco não podem passar candidamente em nossa porta e servirem apenas para deleite e gostosos banhos, mas que as transformemos e a multipliquemos em riqueza.

ELIANE BANDEIRA

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