Sobrinho passou pouco mais de quatro anos em São José de Piranhas, vendo sempre crescer a sua aceitação junto à comunidade local, sem distinção religiosa, política e, sobretudo, social. Dentre muitas outras obras de alcance sociocultural, fundou, em 1970, a Escola Normal São José, com a implantação do Curso Pedagógico, objetivando uma melhor qualificação dos professores da região. (A escola foi estadualizada em 1986, durante o governo de Wilson Braga).

Dada à sua aceitação pela sociedade local, ele era sempre convidado a visitar as várias famílias da Paróquia que dirigia, o que fez com que ele se tornasse mais próximo da vida cotidiana de algumas dessas famílias. Foi por esse tempo que ganhou ares de maior proximidade o seu relacionamento com a família de sua hoje esposa Fátima.

Curioso é que as más línguas comentavam que haveria uma aproximação maior entre Sobrinho e uma irmã de Fátima (Rizomar), fato compreensível, uma vez que esta era Secretária do Colégio que Sobrinho dirigia, estando, evidentemente, em contato diuturno com ele. O fato é que nada havia entre os dois, mesmo porque, na “hora H“, a escolhida foi Fátima, com quem ele iniciou a sua vida dita secular.

Anteriormente, Sobrinho, estimulado pelos ex-colegas de Roma, Loureiro, Luís Andrade, Jackson e Zélio, havia prestado concurso junto a UFPB, para a cadeira de Sociologia, doutor que era na matéria. Aprovado, pleiteou o desligamento da Diocese junto a Dom Zacarias que, de pronto, recusou o pleito.

Diga-se de passagem, prestar o tal concurso surgiu em face da necessidade que ele tinha de ajudar financeiramente à sua família, que havia perdido o esteio econômico-financeiro da mesma: a irmã Francisca (Tica, para os de casa) que havia sido vítima de um trágico acidente, estória já bem conhecida de todos os cajazeirenses.

A negação do Bispo, de certa forma, fez com que os acontecimentos pessoais precipitassem um desfecho iminente. Negada a licença, ele foi ameaçado de ser “suspenso de ordens”. Era o fim. O resto foi a debandada, juntamente com Fátima, em busca de outros destinos. Como não havia ainda saído a sua nomeação para assumir o cargo de docente da UFPB, Sobrinho amanheceu em Cajazeiras e anoiteceu em Salvador, na Bahia, em busca de novos horizontes.

Enquanto aguardava uma solução, na terra do Senhor do Bonfim, casou civilmente e rumou em busca de Brasília. Fortes amizades na Capital Federal fizeram com que fosse efetuada a sua nomeação, como professor da UFPB. Já na Capital Paraibana, foi acolhido por Dom José Maria Pires que, depois de advogar junto ao Vaticano este pleito, oficiou o casamente religioso.

Não há como omitir um segundo entrevero que houvera com a Diocese, envolvendo uma questão imobiliária: o casarão da esquina da Rua Coronel Peba com a Rua Padre Rolim pertencente ao seu avô materno, por questões ainda hoje não bem explicadas foi “incorporada” ao patrimônio da Diocese, o que causou, na época, enorme mal entendido entre a sua família e a cúpula diocesana.

Depois dessas desventuras e aventuras, é que veio a ventura. Sobrinho assumiu sua cadeira no CCHLA, chegou a Chefe de Departamento do Centro de Ciências Sociais e, posteriormente, foi conduzido à direção do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes – CCHLA.

Daí a assumir uma pró-reitoria foi um pulo. Foi, aos poucos, conquistando e consolidando o seu espaço junto à comunidade universitária – professores, funcionários e alunos – e, disputando uma eleição direta, saiu vencedor e assumiu o cargo do Reitor da Universidade Federal da Paraíba, certamente imbuído da convicção de que José Américo de Almeida estava certo, quando afirmou: “Eu vos dei as raízes. Outros vos darão asas e o selo da perpetuidade”.

Hoje, Sobrinho, pai do trio da/de/di (Darlene, bora e Diana), aposentado da UFPB, desempenha função de diretoria na UNAVIDA/Universidade Aberta Vida, vinculada ao IESP.

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