Se, na era que se aproxima, quisermos que a educação seja vista não como parte da vida, mas como sua própria meta, o objetivo do ensino deverá ser visto, no mínimo, ocupando lugar central. Qual será então o propósito, a meta da educação? Uma grande parte da resposta a esta pergunta pode bem estar naquilo que os homens desta civilização temeram por tanto tempo e mais desejaram: o alcance de momentos de êxtase. Não de alegria nem de simples prazer, como na equação de Bentham e Mill, nem o prazer da libido que nos foi desvendado por Freud, mas êxtase, ananda, o prazer máximo.

Por tradição e razões históricas bem conhecidas, a civilização ocidental tem-se abstido do êxtase por vê-lo como uma ameaça ao controle do homem, da matéria e da energia orientados para a meta – e tem sofrido infelicidade humana maciça.

A educação, em sua melhor definição é extática. Ao perder o medo do prazer, o educador se tornará explícito e específico em sua busca pelo momento de êxtase. Na sua forma ideal mais efetiva, mais autêntica, o momento de aprendizagem é um momento de deleite. Essa verdade, essencial e óbvia, nos é demonstrada diariamente pelo bebê e pela criança em idade pré-escolar, pela classe do professor-artista, pelos estudantes de qualquer idade que se vêem interagindo com novos programas de aprendizagem, desenvolvidos para que eles sejam bem-sucedidos. Quando a alegria está ausente, a efetividade do processo de aprendizado falha cada vez mais – até que o ser humano passa a atuar de maneira hesitante, de má vontade, temerosamente, empregando apenas uma pequena fração de seu potencial.

A noção de que o êxtase se caracteriza por ser uma experiência de caráter principalmente interiorizado, comprova nossa desconfiança em relação à nossa própria sociedade, ao meio ambiente externo que nós mesmos criamos. Na verdade, as variedades do êxtase são ilimitadas. O novo educador perseguirá as possibilidades de prazer em todas as formas de aprendizado, e descobrirá que o ensino, hoje considerado como nada mais do que a fatigante labuta pelo futuro pagamento, pode tornar-se agradável se para tanto houver um meio habilmente desenvolvido, capaz de tornar o aprendizado mais rápido e fácil. Eis, portanto, uma visão de esperança, um tratado não apenas sobre as coisas tal como são, mas como podem ser e estão se tornando.

Hoje somos capazes – sem o auxílio de máquinas ligadas ao cérebro, drogas ou da eugenia – de oferecer aos indivíduos uma educação que permita a todos, e não apenas a uma elite, que se demonstrem como gênios do pensar, do perceber, do sentir e do ser. Em nossa tarefa de organizar os novos ambientes que permitirão o surgimento dos gênios latentes da raça humana, atingimos, talvez, o mesmo nível da invenção da roda.

No crepúsculo da era freudiana, o controvertido psicólogo da Universidade de Harvard, professor B. F. Skinner, descobriu que, não a punição, mas a recompensa – ou nos termos que lhe são próprios, o “reforço positivo” – é o elemento de maior efetividade para moldar ou ensinar. Esse reforço tanto pode ser alimento, dinheiro, elogio, um beijo, um sorriso, um balançar de cabeça em sinal de aprovação. A maneira e freqüência pela qual o indivíduo é reforçado por ter dado esses passos – segundo Skinner, a pessoa geralmente muda seu comportamento, ou aprende, por etapas gradativas – determinarão amplamente a qualidade ou rapidez de seu aprendizado.

Por outras palavras, não existe método acabado para se produzir o aprendizado. Ele será resultado de um processo de interação entre pensar-perceber-sentir-ser, via estímulos positivos diretos, para o desenvolvimento efetivo dos potenciais humanos individuais. Especialistas alegam que mais de 30% das crianças são vítimas de misteriosas deficiências de leitura, de caráter neurológico. Segundo o Dr. M. W. Sullivan, de forma geral, essas deficiências não residem, inerentes e inescapáveis, no interior do cérebro, mas resultam de ambientes de aprendizado confusos.

Enfim, o conceito de educação como o mais efetivo agente de mudança humana de forma alguma é novo, mas ampliar seus limites, alterar a relação existente entre educador e educando, que perpasse necessariamente pela relação de prazer, talvez seja o mais poderoso aliado do ensino. Sabendo disso, o mestre do ensino persegue o prazer. Mesmo aqueles mais conhecidos como grandes expositores, transformam suas salas de conferências em teatros, usando, sem nenhum constrangimento, fórmulas mágicas e encantamentos.

A vida tem uma mensagem definitiva: “Sim!” – que é repetida em número e variedade infinitos. Negá-la é nadar contra a corrente da existência. Afirmá-la, buscar o êxtase no aprendizado – a despeito da injustiça, do sofrimento, da confusão e do desapontamento – é avançar mais facilmente em direção a uma educação e a uma sociedade que libertará o enorme potencial do homem. É um grave equívoco pensar que o prazer de ver e pesquisar pode ser promovido por meio da coerção e do senso do dever. A nova educação já está presente entre nós, impulsionando-nos a despeito de todas as barreiras que formos capazes de levantar. Por que não contribuirmos para que ela se concretize?

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