A situação atual, as circunstâncias e a inversão de valores

A COLUNA SEMANAL DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

REPRODUÇÃO DA INTERNET
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Estava, há poucas semanas, a degustar um dos fast foods (bem entendido, comida de prato feita na hora, sem qualquer outra conotação que seja), e vi um velho amigo aos prantos, e sabendo como sei que uma tragédia tinha acontecido recentemente com uma pessoa de sua família, tentei, muito sem jeito, consolá-lo, mas não achava palavras ou uma maneira adequada pararas levar algum consolo, e este me disse em tom de confidência, “Pepé, você não sabe o que eu estou passando”, o que o achei coberto de razão, nem eu nem ninguém poderia julgar o que ele sem fazer nada, tem que enfrentar.

Então me veio alguma coisa que aprendi quando cursava Sociologia do Direito, em que um dos sociólogos estudado era do sociólogo espanhol José Ortega y Gasset em que ao lado da “hiperdemocracia”, que tanto falta a nosso país’, que sequer alcançou a democracia, também cunhou a frase famosa (pelo menos para mim): “Eu sou eu e a minha circunstância”, em que ninguém pode fazer ou pré-julgamento de situações que outras pessoas estão passando, sem que se tenha um conhecimento mais que superficial da situação das outras pessoas.

Nesse rumo eu estranhei uma briga que uma conhecida teve com outro, e o acusava de ser o responsável pelo suicídio de seu filho. Eu, que nada conhecia, sobre o caso, fui informado que o filho dela usava uma droga muito perigosa (noutras palavras, era viciado), e quando ele parou de usar, o outro ia em sua casa levar a “substância” e terminou esse em algum momento vir a inalar gás de cozinha (como ouvi dizer) até morrer. Não sei com certeza, mas se for verdade, muito mais merecia que uma surra, é quase um homicídio.

Soube que a cantora Fafá de Belém que gostava de “cheirar umas fileirinhas”, quando parou, alguma alma ruim, passava papelotes por baixo de sua porta, mas esses dois exemplos e outras histórias (ou estórias, existe a mentira), às vezes dá uma ideia de que ninguém pode julgar os outros, sem analisar a circunstância real do caso e sempre pode levar a julgamentos injustos.

Outro exemplo foi da dona de comércio que tinha sido roubada por seu filho usuário mais de vinte vezes. Eu perguntei e ela me disse que o filho havia morrido e que foi um descanso pare ela, pois o mesmo, com sua morte, deixou de dar trabalho e prejuízo, e de causar vergonha, para a mãe, que não podia deixar seu filho abandonado.

É que nos nossos tempos recentes existe uma confusão de valores e em alguns casos, uma inversão de valores em que todos nós, e principalmente os mais jovens estão expostos. É um fenômeno mundial, em outras paragens e circunstâncias, existe o fundamentalismo islâmico (aqui também, mas cristão, igualmente prejudicial), e aqui existe a cultura das drogas, tudo isso de uma ou outra forma bombardeada em uma escala mundial e instantânea, que ao lado da má educação que existe em nossas escolas, faz com que o cidadão comum fique como que refém de situações que às vezes fica envolvido até sem ter contribuído para essas situações.

Isso com nosso estado frouxo que deixa o país parado, a mercê da corrupção, num caldo de cultura absolutamente imprevisível, e sem que apareça um salvador, ou uma solução a curto prazo, pois é um longo processo, como um carretel, que tem que ser todo desenrolado, e se alguém quiser desenrolá-lo, vai contrariar interesses, e a reação não é apenas previsível, mas provável.

Desculpem a confusão que o estou envolvendo caros e poucos leitores, mas eu mesmo estou num estado de confusão, sem ver a luz no fim do túnel.

Fico.

ELIANE BANDEIRA

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